
Assisti, novamente, ao filme Face/Off, de John Woo, 1997. Sobre o filme em si não irei comentar, pois trata-se de um filme de muita ação e violência, com uma dose cavalar de fantasia e inverossimilhança. E não é sobre isto que quero falar.
O que me comoveu neste filme (e em todos os que mostram o que vou dizer) é a história da perda de um filho assassinado e a dor que tal lembrança traz. É uma catarse violenta que me traz lágrimas reprimidas há tanto tempo.
Não chorei quando meu filho partiu, e não choro como eu creio que deveria. É um pranto aprisonado, contido. Quando não suporto mais tanta pressão, vou à Igreja. É o único lugar que tem o poder de abrir as portas de meu coração. Lá, as lágrimas me vêm aos borbotões.
E, outra situação que me arranca as lágrimas é a arte. Quando leio um livro, assisto a um filme, leio um poema, ouço uma música, enfim, qualquer manifestação artística que retrate o que passei, me transporto imediatamente àquele momento terrível e eterno em que meu filho foi para o céu.
E o que tem o filme de hoje a ver com a história? O fato de os pais que perderam o filho adotarem a criança que perdera igualmente os pais (veja a cena final). Esta restituição da identidade de pais e da reorganização familiar foi brutal para mim.
Naquele momento, quando olhava a cena do acolhimento da criança órfã, fiquei imaginando que meu filho, segundo boatos, possa ter um irmão (corna assumida). E que ele, se esta história for mesmo verdade, seja parecido com meu anjo. E tive ímpetos de procurá-lo.
Foi só um ímpeto. Talvez esta criança nem exista, pois a mãe dele me procuraria, ou não… A imagem de meu filho, aos doze anos, me veio à mente, e fiquei pensando se este menino não seria parecido com ele.
Parece até enredo de um filme. Ver em outra criança a esperança de ter novamente meu filho em meus braços. A ficção nem sempre retrata a realidade. No entanto, projeta nossas ansiedades, desejos, medos e esperanças com muita propriedade. E como dói…
Imagem: daqui

Uma mestra feminista e eco-consciente.








A vida as vezes é tão cruel né?
Nos permite sentir tanta dor, e não nos dá a opção de nos livrarmos dela.
Sinto com você sua dor.
Um beijo
Denise, eu sendo vc porcuraria. Vcpode ter surprsas boas com essa atitude.
OLha, eu venho fazendo tratamento apra aprender a lidar com cenas trágicas, e me ver livre da culpa. Sim!Eu me sinto culpada….sei lá como explicar…nao é facil ficar carqa a cara com criancas sofridas e nao sentir dor, sabe?
Denise, bjs e dias felizes.
nao conehco o filme, mas parece bem estilo catarse de ser.