Assisti ao bate-papo, muito interessante por sinal, sob o tema “Criando espaço para o poético, entre modernidade e tradição“, com Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz, Claudia Roquette-Pinto, com a mediação de Suzana Vargas, no Café literário, da Bienal do livro, no Rio de Janeiro.
Gostei, particularmente, da posição de Ferreira Gullar em relação ao fazer poético e o poeta. Em sua opinião, não se aprende a fazer poesia. Já se nasce com isso.
Concordo com ele quando diz que o poeta tem um modo diferente de lidar com a palavra. O poeta tem o talento, tem a inspiração, que vem como um relâmpago que ele capta e daí nasce o poema.
É óbvio que se tem de ter a técnica do fazer poético. Mas, saber fazer não é suficiente. Gullar afirma que, sem inspiração e motivação, não nasce o poema. O poeta tem de ter a capacidade de se espantar com as coisas. O poema explode no poeta. A poesia acontece.
E, vai mais além: fazer poesia é violentar a linguagem. É superar os limites da racionalidade do discurso, que tende a ser lógico naturalmente, e cabe ao poeta, violentá-lo. A poesia deve ser feita sem o controle da razão.
Em minha experiência como professora de Literatura, sempre defendi a tese de que poesia ou literatura se aprende na escola. No entanto, o poeta, o artista, o gênio da palavra já nasce pronto. Toda técnica aprendida não faz de mim uma poetisa. Quantas vezes me vi sem nenhuma inspiração para escrever. Ao passo que, muitos poetas há, que não têm nenhum conhecimento teórico ou literário.
Teoria pode até conferir maior qualidade ao texto, mas a alma, a vida que explode no poema, esta, não se aprende na escola. Como diz Gullar: “o cara já nasce poeta.”











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