
Um simples bate-papo entre amigos do Faça a sua parte – muito divertido por sinal – em nosso grupo de discussões, tornou-se motivo para uma longa e interessante reflexão sobre o queijo ser ou não ser de origem animal.
Explico: o Afonso, o chato perguntou-nos que pratos poderíamos sugerir, além dos tradicionais pastos (argh!!!!! alface, rúcula, tomate, cebola, batata, etc…) – o “argh!!!!!” é do Afonso - para oferecer no churrasco de aniversário de sua linda filha, a Condessa Clarissa, na semana que vem, a convidados que não comem carne.
Como vocês sabem, estou definitivamente sem comer carne. Sugeri ao Afonso que servisse hambúrgueres, quibes e salsichas vegetais, comprados pronto, e que ficam ótimos grelhados. Outra delícia é o pão de alho (compra-se pronto ou faz com pão tipo baguete cortado ao comprido e inteiro, temperado com alho, orégano e azeite). É só colocar na grelha pra torrar.
A maior das delícias, no entanto, foi a que, no último churrasco do dia dos pais, minha filha preparou para mim: o queijo coalho no espeto. Reparei uma reação estranha: todo mundo caiu em cima do queijo e se esqueceu de que era carnívoro, hehe.
Quando falei deste último, o Afonso citou o fato de o queijo coalho ser derivado de carne. Comentei que eu já havia deixado de comer gelatina por ser derivada do porquinho, mas ainda não chegara a este patamar de não comer o coalho, embora saiba que ele vem de parte do estômago do boizinho. Devagar e sem neuras. Cortar a carne já é um grande passo para mim. Eu como ovos e derivados de leite. Só parei com a carne.
- Não sabia que queijo coalho tem a ver com estômago de boi (argh!!! nunca mais como). Achava que era de leite de cabra azedado – diz Afonso.
- Argh duplo, Afonso. Acho que vou repensar meu hábito de comer queijo coalho… retruquei.
- Uai, mas não é derivado do leite? pergunta a Silvia Schiros.
Expliquei-lhes que o coalho é que é de origem animal. É uma enzima (quimosina) utilizada na coagulação das proteínas do leite e é obtida do estômago de bezerros recém-nascidos. O mais trágico, que talvez seja a razão para eu deixar de comer queijo coalho, é a crueldade com os bezerrinhos, que são alimentados durante uma semana com o leite, e, depois, são afastados de suas mães e abatidos para a obtenção da enzima.
Existe o coalho de origem vegetal, que é obtido através de plantas; e o coalho de origem microbiana, desenvolvido através de pesquisas de manipulação genética, introduzindo-se DNA para a produção de quimosina em alguns microorganismos. Mas é mais raro de encontrar. Tem de olhar o rótulo quando comprar.
- Sílvia, alguns queijos não levam coalho (catupiry, ricota, cream cheese). Nos rótulos sempre é indicado quando contém coalho (no caso de empresas responsáveis, né…) – expliquei.
- Nossa, então praticamente todos os queijos passam por esse processo? Queijo minas? Parmesão? Mussarela? - pergunta ela.
- A maioria dos queijos levam coalho. Exceto os processados, como o requeijão.
Nesse ponto da conversa, o Allan, do blog Carta da Itália, nos traz um detalhe técnico:
- Na Europa, se não levar coalho não pode ser chamado de queijo. Ricotta, coalhada (yogurt greco), yogurt e parentes são laticínios, mas não são classificados como queijo.
E mais uma curiosidade extra:
- Na Itália, continua Allan, pecorino é qualquer tipo de queijo produzido com leite de ovelhas ou misto (com adição de leite de vaca, cabra, búfala…); queijo vaccino, aquele produzido exclusivamente com leite de vaca; queijo misto, aquele com leite de vaca e cabra ou búfala, mas não com leite de ovelha (que, por uma questão de predominância de sabor e odor, será sempre um pecorino); já o queijo caprino é um tipo de queijo mole, vendido em rolinhos e por falta de legislação específica pode ser feito com leite de cabra ou de vaca. Os queijos produzidos com leite de cabra na Itália precisam ter bem clara essa informação no rótulo.
- Eu AMO queijo, muito mais do que carne. O marido fica pê da vida. kkkkk. Por isso me espantei com a crueldade desse ingrediente para coalho e em saber que a maioria dos queijos usam. Eu viveria bem sem carne vermelha, mas não sei se conseguiria viver sem queijo, confessa Sílvia.
A esta altura, Afonso, o pivô da discussão, se diverte:
- Viu por que é mais fácil comer carne? Se eu soubesse que uma simples sugestão de prato daria nesse monte de informação, hehehehehehe.
Lucia Malla, do blog Uma malla pelo mundo, entra na conversa animadíssima:
- Silvia, eu também AMO queijo. Nem penso em ficar sem, sinceramente. Pecorino… aaaaaaa! Que delícia. Isso me lembra que preciso postar no blog, em algum momento do futuro, a visita à feira de queijos a que fomos eu, Andre e Flavio Prada lá em Trento. O que era aquilo!!!! Cada queijo mais delicioso que o outro. Uma perdição.
Confesso que fiquei com água na boca. Gosto muito de queijos. Imaginei-me na feira de Trento fazendo a festa com a Lucia Malla (pobres bezerrinhos…).
- E por falar em queijos, Afonso interrompe meus pensamentos, trabalhei três anos em uma fábrica de leite e derivados (laticínios e queijos). Honestamente? Não sei como ainda como certos queijos… acrescenta ele.
- Ih, Afonso, é melhor nem contar, hehe.
Em um próximo post, contarei para vocês como o Afonso montou o cardápio carnívoro-vegetariano (credo!!!) e outras deliciosas sugestões de comidinhas que a Lucia Freitas, a Lucia Malla e a Silvia Schiros trouxeram nesta longa, interessante e divertida conversa.
Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira
Imagem: queijo coalho











Como ex-vegetariana eu posso lhe dizer uma coisa:
nem todo “coalho” é de origem animal.
Hoje em dia os fabricantes usam 4 tipos de coalho:
- de origem animal
- de origem vegetal
- de origem microbiológica, fabricado a partir de fermentos e fungos (a maioria usa esse!!!)
- genéticamente modificado – usado nos EUA, Inglaterra e na Alemanha
aqui na Alemanha normalmente tem no rótulo se o coalho é de origem animal, para tirar qualquer dúvida é só escrever para o fabricante e eles informam o tipo de coalho utilizado
na Itália os queijos com título de “DOP” sao sempre produzidos com coalho animal
Eu sempre comi os queijos com coalho de origem microbiológica, sem dor na consciência.
bjss
Denise, como somos cruéis com os animais! Eu não sabia desse fato. Amo queijo, mas reduzimos muito o consumo em casa por conta de alergias respisratórias. O que temos tomado mais, derivado de leite, é iogurte, que preparo em casa com leite longavida e o fermento biorich, que é feito de lactobacilos vivos.

Por outro lado tá cada vez mais difícil…carne não como, meu marido adora mas só come na rua praticamente, e a Pipoca come só moidinha, e no máximo 2x na semana. Leite e derivados tb restringimos, soja sabemos que não é bom exagerar – sem contar o problema de não saber ao certo qdo é ou não transgênica -, frango só caipira (compro Korin) e restam os peixes…mas em relação a esses tb é preciso atenção. pq os de alto mar são mais recomendáveis por conta de estarem livres de poluição, porém há vários, como salmão e atum, que são ameaçados de extinção…e outro dia descobrio que o cação – cujo lombo assado adoro – tb está ameaçado.
O negócio é virar vegan – o que não será tão tranquilo, afinal nem sempre é possível encontrar orgânicos de tudo que precisamos.
o que estamos fazendo com a saúde do planeta e a nossa própria?!?!?!?
Excelente post!
Beijo
Renata
Marcia,
Pois é, falei sobre eles no post. O difícil é encontrar as alternativas ecologicamente corretas.
Você voltou a comer carne?
Renata
Bom, se as pessoas conseguirem reduzir o consumo de carne, já é um avanço. A opção de não comer carne é pessoal. Não sou vegan, mas tento diminuir o impacto ambiental e o sofrimento dos animais. Mas , confesso que mudar hábitos é muito difícil. Mas eu chego lá.
beijo, meninas
beijo, menina
Pois é, Denise. Descobri que a sobrinha que não come carne comia queijo coalho. Fiz a besteira de contar pra ela que era feito com o estômago do bezerro. Agora é uma coisa menos que posso fazer. Em todos os casos, parece não ser tão complicado assim contentar essas pessoas, heheheh
Ficou ótima a reprodução da conversa do Faça. bjs
Ah, ah, Afonso, procura o coalho vegetal, hehehehehe.
Já fez o cardápio?
abraço, garoto
Quando você voltar aqui em casa, vou te dar para comer, arroz, feijão e farinha.
Acho que aí não tem risco né?
Ah! mas tem batata, almeirão, abóbora, enfim, tem muitas opções.
Beijos querida.
Denise, eu nao como carne…me faz super mal..prefiro queijos…bjs e dias felizes
Aninha,
Vou amar este cardápio, hehe. Nham, nham, hehehe.Imagino as delícias de sua horta, tudo fresquinho, natural , tudo de bom!
Grace,
Já não consigo sentir o cheiro da carne cozinhando que me dá náuseas. Adoro queijo, apesar do coalho, mas penso em mudar este hábito também.
beijo, meninas
Denise, parabéns por expandir a discussão. Ficou bacana!
Bjs.
Lucia Malla,
Assim a gente aprende mais um pouquinho também, hehe.
beijo, menina
[...] Queijo ou carne? Eis a questão! [...]
e você acha que o leite que vai no queijo também não desmama e mata o bezerro? para a vaca produzir leite, ela precisa parir, e seu bezerrinho, que logicamente não vai ser criado, vira carne de vitela.
Você tem razão, Tiffany
O processo de substituir produtos de origem animal por outros ambientalmente corretos é gradual. Acredito que a próxima etapa em minha decisão de mudar meus hábitos é em relação ao leite, ovos e queijos.
Obrigada pela visita.
beijo, menina
O pior é o pastel!!! Nunca fui a uma feira em que o pastel não tivesse gordura animal. Só como em casa pq dá p/ comprar sem banha.