
- Eu fiz tudo pra ele – choramingou a Princesinha, ao ver que seu peixinho estava morto.
Aconteceu tão inesperadamente. Um momento, e ele estava bem, nadando majestoso e cintilante. Daí a pouco, flutuava imóvel, sem brilho e sem vida. A Princesinha nada percebera. Procurei desviar-lhe a atenção até que sua mãe chegasse em casa. Enviei-lhe uma mensagem: “O peixinho morreu. Clarisse ainda não viu. Estou bege.” (sim, eu assisto à novela das sete…)
Comentei o fato no Twitter: “O peixinho da Princesinha morreu. Ela ainda não viu. E agora, como explicar a uma criança de três anos que seu bichinho já não vive mais?”
A Carol (@Guindaste), querida amiga da Rede Ecoblogs, sugeriu: “Você tem duas opções: conta a verdade e chora com ela ou compra um peixinho igual. Sou mais a 1ª, mas a 2ª é mais fácil. “ Já a Flavia Morgana (@flaviamorgana) foi mais objetiva: “nossa denise, acho que o melhor é ser sincera com ela mesmo, explicar como é a vida. Tente falar que a vida deles é menor que a nossa.”
Eu havia pensado nestas duas opções e cheguei a sugerir a minha filha que comprássemos outro peixinho. No entanto, analisando melhor a situação, decidimos ser honestas e contamos a verdade.
A despedida do animalzinho
A princípio ela chorou e disse aquelas palavras que iniciam o post. Depois dissemos que ele tinha de voltar para o mar. Minha filha lembrou-a sobre o episódio do filme “Procurando Nemo” em que, para chegar ao oceano, os peixes descem para o esgoto pela descarga do vaso sanitário. Então ela concorda em colocá-lo no vaso, despede-se dele e aperta o botão da descarga. Inusitado e emocionante.
Durante algum tempo ela choramingou. De vez em quando parava em frente ao lugar onde ficava o aquário, calada. Depois dizia baixinho: “quero o peixinho”. Esta reação dela é muito similar a minha maneira de sofrer uma perda. Sofro em silêncio. Dois dias depois, ela não tocou mais no assunto.
A criança e as perdas
Os médicos e psicólogos afirmam que a criança encara a morte do animalzinho de estimação como uma perda. E que “é importante perguntar à criança se ela quer fazer um enterro simbólico do animal, que pode ser em uma caixinha ou outro lugar mais adequado, pois o ritual estabelecido para o enterro é uma forma de enfrentar a morte e construir o conceito de perda”.
Então, acredito que fizemos o que era o mais adequado ao momento: devolvê-lo à água. Assim, ela não ficará triste demais, ao lembrar que seu peixinho não foi jogado no lixo ou em qualquer lugar. Afinal, ela convivia com ele e aprendeu a tratá-lo bem e a ter consciência de que o animal faz parte do ambiente e que deve ser cuidado e respeitado. Isto ficou claro para nós quando ela declarou que havia feito tudo para ele.
Eu e minha filha lhe demos carinho e apoio emocional. Ambas sabíamos que, nesta idade, ela é capaz de suportar a morte de um animal de estimação com pouco ou nenhum trauma. Se ela pedir outro animal, vamos explicar sobre a fragilidade e a brevidade da vida dele. Acredito que vamos ficar algum tempo sem um bichinho em casa. Ou não…
Imagem: daqui











suspiros……….Eu vou passar por isso aqui em casa.
Nosso cachorro tem 12 anos e eles convivem com ele desde que nasceram. Vai ser muito difícil explicar. Sinceramente, ainda não tenho idéia de como agir quando acontecer. Não sei se consigo nem pensar nisso antecipadamente.
Meu coração aperta.
Sou a favor da verdade, sempre. Porque assim é a vida e eles terão que aprender.
Mas não sei se teremos bichinhos tão cedo aqui em casa.
Eu acho que vcs fizeram a coisa certa.
É, no seu caso é mais difícil pois a convivência é maior e o envolvimento com o cão é bem mais íntimo, digamos assim, do que com um peixinho. E o ritual de enterrar também é mais traumático. Mas, não tem jeito, mais cedo ou mais tarde a gente passa por isto. Acho que não teremos bichinho tão cedo.
beijo, menina
É uma realidade. Mas dói, viver com eles tão cedo, o começo das perdas.
Aqui tenho lutado para não ter bichos de estimação.
Por esse medo.
beijos nas duas.
Dê,
Comprei uma vez um peixe beta azul para meu filho… Esse peixe morreu umas 3 vezes e eu substituia por outro igual, sério, não sabia como meu filho iria lidar com a questão. A quarta vez que o peixe “morreu”eu contei e ele agiu super bem!
Mas as vezes fazemos cada uma para não ver os pequenos tristes!
Beijos e bom final de semana
Denise, qualquer animal quando se vai, deixa um vazio terrivel..Meus filhos sempre choraram por perdasd de peixes, caes e gatos..
OLha, seu blog é muito ecologico, Denise..vc deveria era concorrer com ele, nessa categoria..Suas escritas ajudam e muito nós que o lemos..bjs e dias felizes
Obrigada, Grace, mas meu blog é mais variado: sobre mãe, cidadã, mestra, tecnologia e educação e meio ambiente.
beijo, menina
Pois é, Lê, a gente ia fazer isto, mas achamos melhor falar logo a verdade. Ela está bem. Parece que entendeu.
Por enquanto não vamos comprar outro bichiinho. Deixa ela crescer mais um pouco.
beijo, menina