Filas nos hospitais é culpa da gripe suína?
A procura por atendimento médico no Rio há muito tempo já representava uma via crucis. A preocupação com a gripe Influenza A (H1N1), ou gripe suína, só veio aumentar o sofrimento daqueles que procuram atendimento em hospitais das redes pública, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Rio de Janeiro. As emergências estão ainda mais lotadas e, em muitos casos, apenas um médico para fazer o atendimento.
Esta situação é antiga, e não provocada pela nova doença, como querem alguns. Há muito tempo pessoas dormem nas filas, enfrentam o frio da madrugada, muitas sem agasalho, a fim de conseguir uma senha para consulta médica nos hospitais do Rio de Janeiro. Além do desconforto, precisam ficar acordadas para não perder o lugar na fila, do lado de fora do hospital. As pessoas passam a noite nas filas, sentadas, encostadas ao muro e algumas deitadas na calçada.
A senhora que trabalha em minha casa conhece bem esta rotina. Não adianta eu suplicar para ela não ir dormir na fila, quando termina o serviço de faxineira. Ela diz que precisa do tratamento e tem de ser assim. Ela conta com a bondade do guarda que vigia o hospital, para ir ao banheiro, dentro da unidade. E o que é pior, muitos , como ela, têm de voltar ao trabalho, sem dormir, no dia seguinte.
Fiquei horrorizada quando, certa vez, ela chegou em minha casa, pela manhã, e, só mais tarde, deixou escapar que dormira na fila, outra vez, pois a marcação de senha anterior estava errada! O médico para o qual havia recebido a senha, não tratava de seu problema. Quanta humilhação e falta de consideração com o ser humano!
É obvio que a secretaria de saúde se defende e garante que não é necessário dormir nas filas para ser atendido. Entretanto, minha secretária e as pessoas que dormem nas calçadas dizem que a situação é diferente. Assim como aconteceu com ela, muitos não têm garantia do atendimento previsto para o médico que cuida de sua enfermidade. Ela conseguiu a senha, mas para outro especialista, que, segundo ela, a tratou muito mal. É subestimar a inteligência do povo…
E não venham dizer que a situação está caótica devido à gripe suína. Suíno é este sistema de saúde, como bem colocou a Vanessa Anacleto em seu artigo “Governo Suíno”, que obriga os menos favorecidos a se submeterem, doentes, a situações constrangedoras como estas. E tal situação também acontece no sistema de saúde privado! Sofri esta realidade quando tive de levar meu pai a um atendimento de emergência, há algum tempo. E, em outra ocasião, meu pai recebeu um atendimento péssimo que acarretou consequências desastrosas para sua saúde, e teve de se submeter a consultas e procedimentos médicos em outro hospital. Isto é uma lástima!
E sobre a superlotação nos hospitais provocados pela gripe suína, o Gabinete Integrado de Emergência para a Influenza A, da Secretaria de Saúde, informa que , a partir de segunda-feira, 27, o Estado do Rio de Janeiro passará a contar com dois novos canais de comunicação, via telefone e internet. Assim, espera-se que a população tire dúvidas e receba orientações a respeito da doença. e, dessa forma, haja uma diminuição na procura por hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento 24 horas (UPAs).
E as filas para os outros tipos de atendimento? Diminuirão? Esta é a resposta que minha secretária e tantos outros cariocas que dormem nas filas esperam ouvir.
Imagem: daqui
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De, isso sem contar, que depois de dormir na fila no frio, ainda conseguimos marcar uma consulta ou exame, para meses adiante.
E se quiser, tem que ser assim.
Num país em que a saúde beira a perfeição, imagine se fosse ruim heim?
Estaríamos todos mortos, à míngua.
Enquanto isso, o nosso presidente viaja pelo mundo. Está conhecendo cada cantinho do mundo.
Beijos querida.
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