Esquecer é mais triste que a dor da morte
Assisti, neste sábado, ao filme Jean Charles, do diretor Henrique Goldman, com os atores Selton Mello e Vanessa Giácomo. O filme aborda a vida do eletricista Jean Charles de Menezes, morto com sete tiros na cabeça no metrô de Londres em 2005, um dia após um atentado à bomba fracassado na cidade.
Não vou fazer resenha, crítica ou comentário ao filme, ao qual gostei de assitir. Este post é um desabafo de mãe-órfã que não conteve as lágrimas em uma das cenas, justamente a do reconhecimento do corpo de Jean e a reação indignada da família dele. Vi-me naquela mesma situação, há três anos, apenas não tive reação alguma. Parecia dopada, totalmente sonolenta, como se aquilo não estivesse acontecendo de verdade. E, hoje, ali, dentro do cinema, indagava-me por que não chorei, não gritei, não questionei, não acusei, não exigi justiça pelo que fizeram ao meu menino.
Agora, recordo-me das palavras de meu pai, há uma semana, citando a frase “não cai uma folha de árvore sem a permissão de Deus. Minha filha, tira este luto”. Minha mãe também me dissera a mesma coisa, há dois anos: “está na hora de tirar este luto. “ Não disse nada a ele, como não disse nada à mamãe, na época. Tampouco nada disse naquele terrível dia, no IML. Meu silêncio e minha dor são apenas meus. E não quero tirá-los. É o que tenho.
Continuo pensando e agindo da mesma forma nestes três anos. Não voltarei a ser quem eu era. Sem coloridos, sem comemorações. Vivo a vida de verdade, não a vida artificial e de aparências. Valorizo cada momento, e não me apego a coisas fúteis e materiais. É impossível esquecer o filho que se perde. Não quero esquecer. Ele vive em minha memória. Esquecê-lo seria mais doloroso que a própria morte, porque significaria não ter mais sequer a sua lembrança. Sua imagem ficará para sempre em meu coração, em minha mente, em minha vida.
Todos os dias pergunto a Deus por quê. Um dia saberei…
vídeo:cinema UOL
Tags: anjo, Dor de mãe-órfã, perda de filho
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June 28th, 2009 at 5:35 am
Denise,
as pessoas à nossa volta nos veem e querem que voltemos a ser o que éramos, mas isso é impossível. Nosso coracao partido tem tantas cicatrizes e rachaduras, que passamos a ver e viver a vida de outra forma. É doloroso para quem nos vê, mas é o nosso caminho a ser trilhado. Sao trilhoes de lágrimas contidas e outras tantas choradas, um dia saberemos o porque, e basta um som, uma roupa, uma música, uma situacao corriqueira para que a tristeza tome conta de nosso ser. Os outros que nao sabem, nao sentem, ficam sem saber como lidar conosco. O luto faz parte do processo de melhora e esquecer seria nao-viver.
um abraco carinhoso
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June 28th, 2009 at 2:22 pm
Querida Denise,
Entendo a tua dor e o teu luto. Nossa vida carrega sempre as marcas das experiências pelas quais passamos.
Eu também não consigo entender o porquê de certas tragédias acontecerem. Espero um dia compreender por que determinados acontecimentos tiveram de existir em nossas vidas.
Não posso e nem quero imaginar a dor de perder um filho.
O meu esta semana foi quase assaltado no ônibus: quando soube, nem sei o que pensei… Tenho duas riquezas nesta vida, Denise: meus dois filhos e a hipótese de imaginá-los sofrendo algum tipo de violência dói na carne, na alma e eu me perco de mim mesma.
Admiro você pela força, pela coerência em tudo o que nos mostra no blog, pelo teu jeito ecológico de ser mas principalmente por ser sempre verdadeira.
Seja feliz quando for possível!
Beijos,
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June 29th, 2009 at 9:23 am
Denise, como ser como antes, se uma parte sua morreu junto? Imagino a sua dor e a coragem que teve de assistir esse filme, porque justamente, passou um outro filme em paralelo. Nestas horas piores, lembro de uma citação “Deus nunca nos dá um peso maior que os nossos ombros possam suportar” – mais ou menos isso. Não sei se é alento, mas acho que seu filho não gostaria de vê-la sofrer. Beijus
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June 29th, 2009 at 3:11 pm
Luma,
Eu realmente não esperava que apareceriam as cenas de reconhecimento do corpo, dentro do necroterio. Foi algo inesperado. Mas estou bem. Tenho fé e esperança na ressurreição, que é no que acredito. Um dia o verei de novo.
A saudade, a falta dele, a juventude que não viveu, estas coisas doem, mas , realmente, Deus dá forças extraordinárias quando sobre nós sobreveem provações que não possamos suportar.
Obrigada pelo carinho
beijo, menina
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June 29th, 2009 at 3:20 pm
Nem sei o que escrever… Não imagino a dor de perder um filho, como David sempre diz… Perder um filho parece ser anti natural. Não dá para esquecer Dê… Nunca nos esquecemos de nossos filhos. Mas dá para tentar viver… Tentar até um dia se encontrar com ele novamente.
Beijos menina
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June 29th, 2009 at 7:26 pm
[...] Esquecer é mais triste que a dor da morte [...]