Crianças sem TV e PC! Pode?
December 3, 2008 Uncategorized

Bem, a entrevista no Roda Viva de ontem, com o professor Valdemar Setzer, professor da USP e engenheiro que estuda a relação entre a educação e os meios eletrônicos, foi polêmica. Ele afirma em seu site que as crianças não devem ser expostas à tecnologia pois são imaturas e ingênuas. Quanto aos adultos, ele disse que não vê problemas pois têm discernimento. De uma certa forma ele tem razão, embora radical demais.
Eu também acredito que as crianças que não são monitoradas por um adulto, quando ficam horas diante da tevê, dos vídeos games e da internet podem ser mais prejudicadas que auxiliadas pelos meios de comunicação e pela tecnologia. Mas, será que o professor não está radicalizando demais a questão? Ele afirma que devemos deixar “as crianças serem infantis”, não lhes permitindo “o acesso à tevê, aos jogos eletrônicos e aos computadores!”
Eu não seria tão radical. Não consigo imaginar um mundo em que as crianças sejam impedidas do acesso à tevê ou ao computador. A tecnologia é mais uma ferramenta para adquirir conhecimento, que deve ser acompanhada de perto por pais e mestres. Cabe a estes o dever de orientar as crianças o modo adequado de se usar a tecnologia como meio mais educativo e menos ameaçador.
Imagem: charge feita durante a entrevista por Paulo Caruso
Leia mais:
- Resposta ao professor Valdemar Setzer
- Para que serve a tecnologia?
- Entrevista na Folha
- A escola ‘sozinha’ não alfabetiza ninguém
- Indisciplina: responsabilidade da família ou da escola?
- Jogar fora seu eletroeletrônico não é o melhor negócio
- Prêmio Viva Leitura 2008
- A “reescrita” de textos
Comente aqui: (8)







Claro que pode!
Adolfo, se houver critério e orientação de pais e professores, não vejo problema. É muito difícil manter uma criança completamente longe de tevê. Vídeo game e internet até pode ser, mas tevê…
abraço, garoto
Responda este comentário
Bom dia Denise, olha, eu cresci jogando vídeo game, assistindo tv e já faço parte da geração que tinha computador, mas não acesso a net porque não é do meu tempo de infância. Mas havia limites em tudo isso.
Aprendi a gostar de livros e muitas vezes eu trocava um filme por um livro ou horas de vídeo game pelo prazer de ler.
Nunca houve limitação quanto ao que assistir em casa, mas sempre houve muita conversa e muita informação. Minha mãe era psicologa e nunca acreditou nos limites dos programas e sempre deixou bem claro que televisão é distração e entretenimento e não forma ou conceito de aprendizagem. Até hoje assisto tv para me distrair e não suporto os falsos programas educativos, isso para mim é coisa para livros e não para tv…
Abraços meus
Bem, Lunna, depende do programa educativo. Estamos falando de crianças. É claro que filmes e novelas não é adequado a elas. Mas os programas que estimulam a solidariedade, o companheirismo; ajudam a construir através da arte, ensinam números e cores, e outros programas realmente educativos são , em minha opinião, muito bons para a criança. Com a orientação e o limite dos pais, os meios de comunicação não são prejudiciais.
beijo, menina
Responda este comentário
Sem radicalismo. Os pais só não podem fazer dos meios eletrônicos, babás para seus filhos. Não somente os meios eletrônicos, como também brinquedos que são verdadeiros “cala boca”. Explico: muitos pais sem paciência, dizem ao filho “Não me enche o saco, vai lá brincar”. Entulham os filhos de brinquedos para suprir a carência deles mesmos. A criança pequena gosta de rotina e impor horários para internet/tv é recomendado. Se a criança não sabe ler, os pais devem estar por perto e até mesmo depois disto. Acredito que o discernimento vem mesmo com a adolescência. Até lá a monitoração para não acesso a sites pornográficos e tals se faz por ajuste na configuração da máquina. A rotina da criança deve ser divida entre os interesses da criança e da família.
Denise, você soube de uma escola do interior de São Paulo em que não são adotados livros, caderno e tudo é feito através do computador? O que será que o professor Valdemar pensa disso? Beijus
Concordo, Luma, mas, como o próprio professor Valdemar declarou, há pais que temem os filhos, que ditam as normas dentro de casa. Com critério, tudo tem seu tempo. Quanto à escola em SP, ele odiaria, certamente.
beijo, menina
Responda este comentário
DE,
penso que nossas crianças já estão muito defasadas no tempo(falo agora daquelas de renda baixa, periferia mesmo que é a área onde sempre”atuei”), a educação que recebem é de péssima qualidade, vivem uma vidinha de m* que se ficarem longe do computador e do que a internet pode lhes trazer de conhecimento, inclusão social e informação nada mais lhes sobrará. Então, que fiquem à frente do pc, que se comuniquem, que avancem. O futuro ainda não chegou. Esse professor não deve ter vivido uma infância pobre, deve ter tido acesso a tudo e anda meio de saco cheio da tecnologia.
O filtro tem que haver, dos pais, dos professores. Negar o acesso, não.
Beijo, menina
Valter,
Veja minha resposta ao professor aqui:
Reposta ao professor Valdemar Setzer
Filtrar,sim. Proibir o acesso, não creio.
abraço, garoto
Responda este comentário
Denise, o professor Valdemar é adepto da pedagogia Waldorf, que tem uma filosofia bem diferente das que estamos acostumadas a ver por aí, né?
Eu acho que, até uma certa idade, impedir o uso de TV pode ser benéfico, sim. Eu acho ótimo que as crianças tenham tempo pra inventar. Agora, quando a gente vai pro Rio, não tem TV (vamos pra uma casa praticamente vazia), e as meninas sempre arrumam coisa muito mais interessante pra fazer. Quando tem TV, é a distração fácil.
Eu acho que a proposta dele tem seu valor. Adoraria viver num mundo sem TV, mas ainda não consegui me desvencilhar de toda a tecnologia. (risos)
Sylvia,
Também concordo que até certa idade, o monitoramento deve haver.
Veja o post com minha resposta ao comentário do professor:
beijo, menina
Responda este comentário
Olá a todos,
Caí neste blog por acaso. Toda educação sempre foi radical. Quero que alguém me mostre uma cantina de escola que venda pinga para as crianças (ou mesmo cerveja). Como acho que falei no programa, quero ver o pai que aqui em São Paulo deixa as suas crianças brincarem na rua (a não ser a periferia), como eu brinquei. Quero ver o pai (sadio…) que dá cigarros, bebidas alcoólicas ou revistas pornográficas para seus filhos crianças ou adolescentes. Pois é, vocês vão todos concordar que evitar tudo isso é correto. Pois isso tudo é radicalismo, e até censura. Isso é o normal na educação. **Desde que se reconheça** que algo é prejudicial à criança ou ao adolescente, tem que ser evitado, não há meio termo. Pois é, eu reconheço os males dos meios eletrônicos para eles. Quase ninguém reconhece. Daí a diferença entre eu e quase o resto de todo o mundo. Gostaria que alguém fosse objetivo, lesse meus trabalhos que estão em meu _site_, e mostrasse objetivamente onde estou errado. Se conseguir mostrar isso, mudarei as minhas conclusões.
Não vou ficar monitorando este blog, pois não tenho tempo. Se houver algo importante, peço que me avisem por e-mail (está em minha _home page_), dando o endereço dele.
Ah, uma última coisa: Fiquei um pouco frustrado no Roda Viva por ter deixado de abordar coisas muito importantes, como o consumismo infantil forçado pela TV. Complemente com minha entrevista de 12/11/08 à TV Jovem Pan Online, em
http://jovempan.uol.com.br/jp/media/online/index.php?view=20578&categoria=149%20%20
que ficou ótima; para minha supresa, deixaram-me falar à vontade (se eu tivesse sabido disso, teria preparado um roteiro…). Se perder o endereço, dê uma googlada com
setzer “jovem pan”
A primeira opção é o vídeo.
Lembrem-se do que falei no fim do programa (meu sogro R. Lanz já dizia que se deve preparar muito bem uma última frase de uma palestra, o resto não interessa…): estamos destruindo a natureza, a sociedade e o indivíduo. É preciso mudar a mentalidade para reverter esse processo. Na minha opinião, uma mudança essencial e necessária diz respeito ao uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes pois, entre outros, o impacto deles em sua mentalidade e personalidade é terrível.
Abraços a todos.
Minha resposta ao comentário do professor está aqui neste link.
Responda este comentário
Minha resposta ao comentário do professor está aqui neste link.
[...] Crianças sem TV e PC! Pode? [...]
Dê, eu concordo que é prejudicial. Contudo, no mundo atual, é muito difícil você adotar posturas radicais.A não ser que você esteja inserido num ambiente totalmente radical, dentro de casa e nada escola. Isso porque vejo que uma separação radical entre o mundo externo e o familiar também pode gerar conflitos na formação do indivíduo. Eu sou a favor do equilíbrio. E vejo isso como o grande desafio da sociedade moderna. Eu controlo bastante a Tv, meus filhos não tem computador e nem Tv no quarto deles. São muito novos. Prefiro que sejam crianças neste momento de forma mais lúdica e vivencial. Eles terão tempo para aprender tudo isso e estarão emocionalmente mais preparados para enfrentar o futuro do que aqueles que desde muito cedo são continuamente cobrados para tal.
Quem tem razão? O tempo dirá mas eu já posso afirmar que a juventude atual mostra o reflexo de uma sociedade que superestimula suas crianças, afinal, isso já vem acontecendo há anos.E é fato: tá ruim pacas a juventude atual.
Responda este comentário