A escola ’sozinha’ não alfabetiza ninguém

Dois milhões de crianças são analfabetas, segundo o IBGE e a maioria dos professores não acreditam que a escola possa resolver tal situação. A comunidade precisa estar envolvida. As escolas com maior desempenho no SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) são as que trabalham de forma integrada com a comunidade. Pais e professores precisam estar integrados e não é isto que acontece na maioria dos casos. É chocante uma notícia destas, mas a escola sozinha não é a solução para os problemas da criança.

O Brasil não investe o suficiente em educação. Uma escola com recursos tende a render mais. Precisamos de um processo educacional que ofereça opções para a criança aprender, como arte, esporte, oficinas, e outras atividades que a predisponha para o trabalho intelectual. Com dois anos na classe de alfabetização, apenas,  dificilmente uma criança estará alfabetizada. Este processo deve iniciar na pré-escola. É possível transformar esta realidade se experiências lúdicas e de socialização prepararem a criança para o processo de alfabetização.

E é necessário haver uma participação familiar neste processo. Parece “conversa para boi dormir” pois, muitas crianças não têm uma referência familiar no sentido estrito da palavra. Em regiões mais carentes as dificuldades são maiores.  Faltam professores em áreas mais violentas e os que se arriscam a trabalhar nestes lugares não têm tranqüilidade para exercer seu ofício.

Sem estrutura educacional adequada, de que maneira se pode incluir um menino que só conhece a realidade de pobreza, violência , drogas e desamor? Sem atividades e profissionais adequados é uma utopia acreditar que um professor possa realizar o milagre de levar esta criança a “ler o mundo”, que é o que antecede o letramento.

A escola pública não consegue competir com a particular e tampouco prepara o menino para  o mundo do trabalho. Precisamos de escolas menores que possibilitem um atendimento melhor, de mais qualidade, com mais recursos materiais e humanos. Escolas imensas, com centenas de alunos, sem recursos materiais e humanos é uma violência, um verdadeiro depósito de crianças sem perspectiva de aprender algo importante para suas vidas.

O investimento na educação, o tamanho da escola, a formação do professor, a integração com a comunidade,  são aspectos que precisam ser repensados no Brasil. Se não houver investimento em educação e envolvimento de toda sociedade, desde a pré-escola até a universidade, não veremos mudança no quadro atual. Colocar a culpa na escola e no professor é o caminho mais fácil para se lavar as mãos para um problema que é de todos.

Imagem: daqui

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4 Comentários em “A escola ’sozinha’ não alfabetiza ninguém”

  1. De não acho que a culpa seja só do professor ou da escola.
    O que acho é que as coisa mudaram muito, e neste embrólio todos t~m responsabilidade.
    Mas ainda acho que os professores precisariam estar melhor preparados, precisariam amar mais sua profissão.
    Gente, eu me lembro de quando fui alfabetizada, era muito sério.
    Éramos mesmo alfabetizados, com uma cartilha “Caminho Suave” em mãos, aprendíamos porque tínhamos que aprender.
    Não tinha nada de jogos, de dança, de atividades extras curriculares, tinha que aprender a ler e escrever.
    Mas, claro, os tempos mudaram né?
    Diferentemente de meus pais, que achavam que eu não tinha nada que estudar, ajudei meus filhos, me envolvi na vida escolar deles e hoje dp Érick.
    É assim que tem de ser. Somos responsáveis por eles.
    Beijos querida professora.

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  2. Denise, esse assunto foi discutido esse ano em blogagem coletiva e deu para sentir pelos comentários de muitos professores o quanto eles estao desistindo do amor a profissao.

    Infelizmente o problema nao é só no Brasil. Nós vivemos na Alemanha e o ensino por aqui tb está seguindo um curso assim. Muitos professores já em fase de aposentadoria, nao estao mais dando gás e os mais jovens ainda sem experiência nao querem confrontar com o antigo sistema. Na turma do meu filho, 25 criancas na 4° série primária, eles estao chegando ao final do ano sem conhecer partes do corpo humano, sem conhecer as divisoes dos estados por aqui. Contas de multiplicar e dividir para a maioria deles é terror. Meu filho recebe de nossa parte mujita assistência e acompanhamento. Investimos em jogos que lhe desperte o conhecer e acompanho todos os dias os seus deveres de casa. Fora o quê ele ainda aprende o português. Mas sinto que sem uma assistência dos pais, a crianca de hoje nao tem como caminhar. Até porque o mundo de hoje sao tantas coisas que tira a concentracao e interesse da crianca em estudar. Fora o grande problema de pais separados. Livros que ficam com os pais e livros que ficam com a mae e quando a crianca chega na sala de aula nem sabe dizer onde deixou os livros. Esse é um problema além das fronteiras da sala de aula.

    Abracos e belo tema a ser discutido

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  3. Aninha,
    Também fui alfabetizada assim, na marra, mas, como você mesma diz, os tempos eram outros. A realidade de nossas crianças é pais que trabalham o dia todo ou separados e, os mais carentes, nem sempre têm um referencial familiar. Hoje em dia, há muitas crianças sem estímulo algum para aprender. E no meu tempo, ainda no primário, na década de 60, lembro-me de que tínhamos arte, música, teatro, solenidades, excursões, roda de leitura e tudo o mais. Estudávamos e desenvolvíamos o lado lúdico e social . Todos os aspectos têm de estar envolvidos sim.
    Quem dera que todos os responsáveis pensassem assim como você e se responsabilizassem pelos estudos de seus filhos. O médico receita o remédio, mas se a mãe ou responsável pela criança não administrar o tratamento em casa, a crinça continuará doente, certo? E se o governo não der condições para os centros de saúde e para os pacientes terem acesso aos remédios e tratamentos, é morte certa.
    beijo, menina

    Georgia,
    Em todo lugar há problemas. O que parece óbvio é que educação das massas não é prioridade para governo algum. Povo desenvolvido e instruído é mais difícil de domar (administrar). Quanto aos professores, só amor à profissão não é o suficiente. Precisa de atualização constante e material para trabalhar, tanto físico quanto humano. O problema está em toda parte. Temos planos de saúde porque o Sistema de saúde pública deixa a desejar, temos segurança particular, seguro e alarme de carros e casas porque a Segurança pública deixa a desejar; e por aí vai. Mais uma vez digo, colocar culpa de tudo no professor e na escola, é lavar as mãos para um problema que é de todos.
    beijo, menina

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  4. Como já comentei em outro blog, nem só investimento resolve. Um (triste) exemplo são as escolas municipais de Porto Alegre, que têm uma boa e moderna infra-estrutura, os professores mais bem pagos do RS, mas que dá certificados todos os anos a milhares de analfabetos funcionais que saem do Ensino Fundamental sem saber um décimo do que devceriam (tudo pelo modelo de escola ciclada, adotado na administração petista).

    Um abraço

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