Abre aspas para a poesia

Com este poema, participo da Blogagem Coletiva “Abre Aspas”, promovida pela Lunna, que tem por objetivo ampliar ainda mais o espaço da poesia em nossas leituras.
“No dia 28 de abril você está convidado a postar uma poesia e uma breve biografia do autor da poesia escolhida por você. Então, ‘Abra Aspas’ no seu blog, no seu tempo, na sua vida – para a poesia.”
Doçura
Nasci dura, heróica, solitária e em pé.
E encontrei meu contraponto na paisagem
sem pitoresco e sem beleza.
A feiúra é o meu estandarte de guerra.
Eu amo o feio com um amor de igual para igual.
E desafio a morte.
Eu – eu sou a minha própria morte.
E ninguém vai mais longe.
O que há de bárbaro em mim
procura o bárbaro e cruel fora de mim.
Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira.
Sou uma árvore que arde com duro prazer.
Só uma doçura me possui:
a conivência com o mundo.
Eu amo a minha cruz,
a que doloridamente carrego.
É o mínimo que posso fazer de minha vida:
aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.
Clarice Lispector

(Tchetchelnik, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977)
José Castello, biógrafo e escritor, trabalhando no jornal “O Globo”, é recebido por Clarice. Trava então o seguinte diálogo com ela:
J.C. “— Por que você escreve?
C.L. “— Vou lhe responder com outra pergunta: — Por que você bebe água?”
J.C. “— Por que bebo água? Porque tenho sede.”
C.L. “— Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva.”
Technorati Tags: blogagem coletiva Abre Aspas, Poesia, Clarice Lispector
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April 28th, 2008 at 5:28 am
Denise, adorei esta poesia da Clarice Lispector. Não a conhecia bem, graças à blogosfera tenho descoberto muita coisa que ela fez e estou gostando cada vez mais. Muita boa escolha, parabéns!
Grande beijo e uma boa semana para você.
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April 28th, 2008 at 6:35 am
Quando pensei nesta blogagem, pensei exatamente isso. Esse momento onde vários blogs seriam um livro, repleto de páginas e em cada uma dessas páginas, um novo horizonte descortinado.
Adorei sua participação. Afinal, Clarice mata a nossa sede com sua audácia salutar. Grata pela sua participação. Boa semana…
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April 28th, 2008 at 7:51 am
Que bela escolha.
Clarice, sabe usar as palavras como ninguém. São como notas musicais que prendem nossa atenção.
Beijos prá você e boa semana.
PS: Hoje depois que falar com a Patrícia naescola, te mando email
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April 28th, 2008 at 1:32 pm
Uma explicaçaõ tão simples para tantas coisas que fazemos na vida. Naturalidade. Uma pena que não temos sede para tudo!
Boa semana! Beijus
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April 28th, 2008 at 3:09 pm
Obrigado pela visita Denise. E ótima a escolha. Uma mulher alguns anos ainda a frente tanto de sua própria geração, quanto desta, acho eu.
Um abraço.
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April 28th, 2008 at 5:14 pm
[...] Acqua – Blue Moon – By Osc@r Luiz – Luz de Luma, yes party! – Esculacho e Simpatia – Rosa 147 – Sturm und drang – Pensieri e Parole, entre outros [...]
April 28th, 2008 at 6:55 pm
Cada um desenha com a tinta que tem dentro de si mesmo.
Parabéns pela aspas pela poesia;
Abraço
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April 28th, 2008 at 10:49 pm
Denise, muito prazer.
Também estou participando da blogagem, com muita satisfação porque, sempre é hora de reencontrar os poetas amados ou conhecer outros.
Gosteimuito deste de Clarcie, cuja beleza nem precisa ser mencionada por já estar integrada à alma desta grande escritora.
Muito obrigada.
beijos, feliz semana para você.
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April 29th, 2008 at 4:58 am
[...] era dia da blogagem Abre Aspas, convocada pela Lunna. Só lembrei agora porque achei o post da Denise. Joaninha anda atarefada demais, esquecida demais, cansada demais… Então vamos mudar o clima [...]
November 9th, 2009 at 12:46 am
[...] Novamente escolhi Clarice Lispector, porque tudo que escreveu é profundo e psicologicamente misterioso. Mas, ao mesmo tempo, tão cristalino, pois ela era uma grande conhecedora da alma humana, de nossos medos e anseios. [...]