Amigos sabem o que dizer
Vou tocar em um assunto que poucos gostam de mencionar. Sinto que devo fazê-lo, pois, muitas pessoas, não sabendo como agir diante de alguém que perdeu um filho, tratam-nos como se fôssemos seres incompreensíveis, ou, simplesmente nos ignoram.
Não vou fazer um manual de como se comportar com alguém que teve tal perda, mas quero esclarecer alguns pontos que, para mim, pessoalmente, são relevantes. E, penso que, talvez, meus amigos gostariam de fazer certas perguntas e não sabem como fazê-lo. Vou falar de mim, particularmente. Cada pessoa reage de um jeito. Então, penso que preciso esclarecer certas coisas.
Não finja que se importa
É importante saber que algumas atitudes, ou a falta delas, podem ser muito benéficas ou terrivelmente devastadoras para quem perdeu um filho. Há pessoas que agem, diante de alguém que teve esta perda, como se nada houvesse acontecido. Outras, como se tal perda fosse algo muito natural e a que não se deva dar importância. Outros, tentam ser solidários, mas, por não saberem o que fazer, acabam magoando quem sofreu a perda, pensando estar lhes confortando.
Optei por morar sozinha, recusando o convite de meus pais e de minha filha para ficar com eles. Por quê? Apenas porque tenho necessidade de ter um lugar em que possa falar o que ninguém quer ou precisa ouvir. Um lugar onde possa gritar, se tiver vontade ou necessidade de assim o fazer, sem ser julgada como louca. Um lugar onde possa colocar as fotos de meu filho junto às de minha família, sem excluí-lo, como se não mais existisse. Não aceito esta história de que “isto faz mal”, pois, acreditem, faz muito bem, muito bem mesmo, olhar aquele sorriso, abraçado comigo, com a irmã, com a sobrinha ou com o pai.
Fale sem medo
Quando estou com meus amigos, gostaria que eles falassem , sem nenhum medo de me magoar, de todo carinho que, de verdade (não apenas para eu me sentir bem) sentiam pelo meu menino. Sim, é bom saber que gostavam dele. Isto faz muito bem. Podem acreditar. Saber que compartilham o sentimento de saudade dos momentos alegres que tivemos com ele, é bom.
Se, por acaso, eu chorar, permitam-me chorar! E não tenham medo de chorar também. Não me magoa, pelo contrário, só me prova que o amavam também ou que compartilham a saudade comigo. Mas, não chorem de pena. Não precisamos de compaixão. Apenas de amizade.
Dói mais perceber que meus amigos não esboçam nenhuma reação quando falo de meu menino, do que ouvi-los falar dele, naturalmente, com amizade e com emoção. Poucas vezes me ouvirão falar do meu filho, mas, quando acontecer, falem comigo das qualidades do meu filho e do que gostavam nele. Não fiquem relembrando as coisas tristes pelas quais passou. Relembrem apenas os bons momentos. Não evitem o assunto ou mudem para outro tema, sob o pretexto de que eu não me sentirei bem ou de que não sabem o que dizer.
Não diga o que não sente
Há pessoas que me dizem que sabem o que sinto. A não ser que tenham perdido um filho também, nunca digam isto! Outras me dizem que é besteira ficar sofrendo a perda de alguém, pois todo mundo morre, e a vida continua. Sim, a vida continua. Nunca tive tanta vontade de viver como tenho hoje em dia. Já perdi avós, tios, sobrinhos, primos e amigos. Mas, a dor da perda do filho, não é uma coisa “comum”, como querem que eu acredite. Também não me digam que tenho a sorte de ter outra filha e uma linda netinha. Isto não substitui meu filho em meu coração.
Também não fiquem perguntando o que aconteceu. Já são enormes os sentimentos de dúvida e de culpa que tenho, e que, acredito, todos pais que perdem um filho têm. Se não sabem o que dizer, não digam nada. Apenas escutem. Não mudem de assunto, apenas ouçam.
Deixe-nos recordar
E, para aqueles que pensam que recordar é sinal de loucura, afirmo que, pelo contrário, é um sentimento que precisa continuar vivo, para que eu mantenha o equilíbrio da mente e do espírito. É com dor, mas também com alegria, que essas recordações dão sentido à minha vida. Acreditem, estas lembranças não são mórbidas, mas apenas a constatação de que este amor nunca terá fim.
imagem daqui
[tags]amigos na dor, dor de mãe-órfã, perda de filho[/tags]
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Denise, minha linda, obrigada por nos ensinar a ser pessoas solidárias. Obrigada mesmo. Beijos!
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Isso não é, nunca foi, nem nunca será morbidez.
Isso é viver, toda lembrança dos nossos queridos nos faz viver.
As vezes lembro, só, de detalhes que só eu vivi ou me lembro.
Outas, compartilho, quando há clima de conversa, sobre o assunto.
A dor da perda é só nossa, podemos entender, avaliar o sofrimento do outro, mas ela é egoísticamente nossa.
Uma dor, que com o passar do tempo, torna-se suportável, fica uma saudade e uma lembrança, que fazemos questão absoluta não desapareça. É aí que surge o sentimento, de que não quero esquecer, quero essa lembrança sempre presente.
Denise querida, viva sua dor, viva suas lembranças, tenha o seu filho presente. Ele olha por você, ele quer você viva e feliz. Um dia você poderá ainda dizer que é feliz, apesar de.
Lembra-se do que me contou da última conversa que tiveram?
Pois ele, sem saber já se preocupava, se você ia ficar bem sózinha.
Ele já deve ter sentido, que quer e vai ficar aí, no seu canto, e vai continuar levando a vida.
Fica bem querida.
Beijos muitos.
PS: Vê se fica on no skipe hoje.
Você adicionou o bem?
Vai ser hoje que vamos inaugurar este troço aí.
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De, sou daqueles que não sabem lidar com essa coisa de morte. Já presenciei algumas, posso te dizer que não é algo bom de se ver ou de recordar. Lembra de como narrei a morte de meu personagem na mão do policial? Pois é: já ví aquilo de pertinho e eu sei o que eu ví.
Agora, esse negócio de mãe, entendo não. É coisa de doido, né? Portanto, não me atrevo. Quando estou pertinho de voce, fica um nó, não quero te magoar com perguntas, mas vc conhece alguém mais perguntador que um escritor?
De qualquer forma encaro esse teu post como um manual. Manual anti-mico, manual de sobreviventes, o que afinal somos todos nós.
Beijo, menina!
ps vê se instala essa bagaça aí prá gente poder falar de grátis, pô!
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Querida amiga,
obrigada pelo alerta, só quem passou por essa dor pode dimensioná-la
meu carinho sincero
beijos
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Sabe, entendo o que tu queres dizer! Minha cunhada estava grávida e perdeu o seu filho…Ele não era nascido ainda…Mas á existia, estava ali! No dia que aconteceu…Estávamos no hospital, e ela conversou comigo! Ela me disse que nunca esqueceria do bebê, que ele já era filho dela! Perder um filho é triste demais… Tu vês uma parte de ti indo embora…Imagino a dor para os pais que perem seus filho já nascidos, adolescentes, adultos…Não tem como dimensionar!!
beijos meus querida!
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Obrigada, pessoal. Vocês são mesmo amigos.
beijo carinhoso em todos .
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Denise, li com bastante atenção o que escreveu.
Quantas verdades você disse!
Não sei se sabe que eu perdi minha esposa, repentinamente, no dia 7 de março de 2006, apenas três dias depois do meu aniversário.
Pessoas dizem isso que você falou: “Sei o que sente”.
Sabem não. Cada um sente diferente.
Não vou me alongar muito, mas eu também não entendo por que evitam falar da pessoa que se foi para sempre. Afinal, ela não existiu? Não disse nada? Não fez nada de especial? Não lhes influenciou em nada? Não deixou nada? Não falo de bens materiais, que isso acaba.
Outro dia – claro que sem maldade – talvez por ignorância até alguém se referiu à minha esposa como “a falecida”. Eu disse: “Por favor não a chame de falecida. Ela tinha e tem nome, e eu não me incomodo em hipótese alguma que falem o nome dela para mim.”
Eu não digo isso apenas pelo fato de eu ter e ainda estar sentindo a perda de uma pessoa tão querida, mãe de meus filhos, porque eu próprio sempre procurei falar de pessoas que partiram, recordando seus momentos legais, seus “melhores momentos”, frases que usavam, suas citações e ações engraçadas.
Meus filhos mesmo costumam dizer com freqüência, diante de algum fato pitoresco: “Se fosse a nossa mãe diria assim…” ou “Ela faria isso.” E até acham graça, rememorando reações inesperadas que ela teria.
Eu às vezes revejo filmes VHS com ela, ouço a sua voz, vejo suas fotos, conheço cada pedrinha do chão da calçada em que passávamos juntos, olho para as amendoeiras à sombra das quais estacionava o carro enquanto ela ia para suas aulas de hidroginástica. Vou no mesmo supermercado. Sinto saudades? Claro, mas não as evito. Uma vez o grande jornalista/cronista Paulo Alberto Monteiro de Barros disse numa de suas belíssimas crônicas: “A saudade não se mata; vive-se a saudade.”
Pois é, Denise, é isso o que eu tentei te dizer. Aceite a nossa solidariedade, não deixe que a memória de seu filho se perca, reavive-a sempre que houver oportunidade. Eu faço assim com a memória de minha querida esposa. E me sinto melhor. Sinto-me pior apenas quando as pessoas parecem ignorar que ela existiu/existe. Mas eu não deixo. Estou sempre falando nela. Com muita emoção e saudade, mas com equilíbrio e muito amor.
Beijos, Denise.
Adelino
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Denise Reply:
January 31st, 2008 at 5:57 pm
Adelino, é realmente assim. Exatamente como descreveu. A saudade se vive, com certeza. Obrigada por tão sábias palavras. Impressionante.
A Aninha havia me falado do que lhe acontecera, quando estive em Moganguá, e conversávamos justamente sobre estes sentimentos pelos nossos queridos.
No seu caso, creio que pode dizer, ‘sei o que sentes’, pelo que descreveu acima, somos solidários nesta forma de amar.
abraço grande, garoto
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Denise, mesmo quem tenha perdido um filho não pode dizer que sabe o que você sente. Cada um sente a perda de uma forma diferente, como tu mesma disse. Eu não perdi um filho(não tenho), irmão ou algum dos pais, mas primo, avô e avó que gostava muito sim. O que posso fazer é tentar imaginar como você se sente, mas jamais direi que sei… Muito sincero e bonito o teu relato.
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Encontrei seu blog sem querer no google e tive a curiosidade de ler esse seu texto.
Me arrepiei! Me emocionei, e ate chorei.
Pura verdade tudo o que escreveu, e infelizmente eu posso lhe dizer que sei exatamente o que voce esta sentindo.
Senti-me magoada com uma pessoa que perdeu o pai e disse-me que sabia o que eu estava sentindo quando eu perdi o meu filho, Hugo Giuberti.
Nossa! Nao ha dor no mundo comparavel a essa. E uma dor que chega a ser fisica nao e?
Eu nunca tive problemas cardiacos, mas nos dias posteriores ao falecimento de meu menino, o medico constatou uma alteracao.
A dor no peito que sentia nao parecia so emocional. Pedi a minha clinica um eletrocardiograma e foi batata! Havia uma alteracao. E minha medica disse-me que e uma alteracao comum em casos como o meu, e o seu. Ou seja, o falecimento de um filho.
Por isso digo-lhe, a dor e fisica, nao so emocional.
Sai um pedaco de nos. E como se nos tivesse sido arrancado literalmente um orgao muito importante de nosso organismo.
Se voce me permitir, gostaria de publicar em meu blog, esse seu texto. E claro com os devidos creditos.
Abaixo o endereco do meu blog.
Aproveite e veja o sorriso lindo de meu menino. E fiquei muito curiosa de ver o rosto do seu menino.
Um grande abraco
http://meufilhohugogiuberti.blogspot.com/
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Oi Denise fiquei muito feliz de ter me retornado obrigada, vc deve entender quando eu disse estavamos deprimida pois e muito recente, como eu avia imaginado vc e uma iluminada; seu blog, ajudou e ajudará outras mães orfã com vc e a Ivonete,Vc tem razão ao falar de sua dor, eu pedir uma irmã, mas minha mãe ate hoje chora sua morte, passarão 12 anos mas toda quinzena ela vai a cemitério,só mãe sabe mesmo, te agradeço também por te passado no blog da Ivonete, tenho certeza que ela ficara feliz, quando souber, penso que unindo força vai ser muito bom pra ela, Sei que tudo que eu possa te falar já te disseram, Mas vc e uma Guerreira, fique olhando seu blog, li fique muito emocionada, a força e a sabedoria com que vc escreve, Deus que algo maravilho em sua vida, seu filho e lindo mas hoje e mas um anjo com o Senhor. Jamais esquecerei de vc seu blog daria um belo livro mil beijos Katia Cristina
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