Intuição
Não se sentir confortável em algum lugar. Aquela vontade estranha de sair dali. Mudar de repente o itinerário no trânsito. Lembrar de alguém e receber uma ligação da pessoa. Parece um aviso, um sexto sentido, uma intuição, ou uma coincidência. Será?
Costumo seguir sempre meus instintos ou impressões sobre mim ou sobre a realidade a minha volta. É uma espécie de advertência. Ouço esta “voz” interior, como a uma voz divina. Se assim não faço, as conseqüências nem sempre são agradáveis. Sempre que estiver sentindo uma forte intuição, obedeço-a. Saio de onde estou; mudo o itinerário que estou fazendo; desço da condução. Evito certas pessoas. Peço demissão no emprego. Não abro a porta, ou não atendo certa ligação.
De vez em quando, meus instintos podem falhar e eu me sentir equivocada. Mas prefiro errar a ficar em situação perigosa ou desagradável. Outras vezes meus instintos me salvaram do perigo. Inexplicável a intuição que tive ao dizer, cara a cara com um assaltante, que me levaria o carro: “Você é meu aluno, sabia?”. A reação imediata dele foi devolver-me a chave do carro pedindo desculpas. Não sei porque disse aquilo a ele. Jamais o vira antes. Nunca fôra meu aluno.
Em outra situação, ignorei a voz anterior por julgar-me preconceituosa. Ao ver um rapaz negro entrar na secretaria de um colégio onde trabalhei há alguns anos, tive o aviso de que ele era um ladrão. Repeli esta idéia censurando-me: “só por que ele é negro? Que preconceito…” Mas aquela impressão aumentava e dirigi-me até lá e, ao ouvi-lo perguntando sobre matrícula, documentos, coisas assim, voltei para onde eu estava mais envergonhada do que antes por julgá-lo mal. Assim que entrei na biblioteca, vi-o sair correndo e a diretora aos gritos: “Fui assaltada! E você viu! Ele me mandou ficar calada, se não ia ser pior pra nós duas! Eu fiz sinal pra você!”- dizia ela, aos prantos. Acredito que Deus não quis que eu percebesse nada, talvez uma reação minha teria dado um final trágico à situação.
Uma impressão fortíssima de que algo muito grave estava acontecendo com meu filho me fez dizer à minha mãe e filha: “se preparem porque a notícia que vai chegar não é boa!” E para meu pai eu disse: “Não vamos mais procurá-lo.” Era aproximadamente a hora em que ele partia para sempre.
Por tantas outras razões, prefiro sempre examinar as opções que tenho, ouvir a voz interior ou ignorá-la. Seria imprudência minha agir de outra forma.
Imagem:daqui
dor na alma

Há coisas nesta vida sobre as quais é melhor nem tentar discutir, pois o saldo da polêmica é frustração e sentimento de impotência. Refiro-me à impunidade neste país, cujas leis a promovem e, conseqüentemente estimulam a violência.
Hoje, vendo pessoas manifestando-se e gritando por justiça, no caso da jovem carbonizada, fiquei pensando: “essa tal ‘justiça’ nunca chega para nós, pobres cidadãos. E não faz parar a violência e a impunidade. E não traz de volta quem amamos.”
Meu coração dói muito hoje, e minha alma chora baixinho. Foi só um desabafo.
imagem
Brincando com onomatopéias

Brincando com onomatopéias é a terceira produção individual , lá no blog Na Roda de Leitura. Surgiu em uma aula sobre recursos de estilos, em que lemos o poema Trem de ferro, de Manuel Bandeira, esse aí abaixo. A aluna criou um poema em que explora o som da natureza, no caso, o barulho das ondas, e explorou o ritmo provocado pela repetição de palavras. Uma graça! Vai lá!
Trem de Ferro
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô…
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô…
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô…
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô…
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô…
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…
(trem de ferro, trem de ferro)
Vai lá e prestigie minha aluninha, tá!
imagem ondas
Solitário ou sozinho?

Ou seria, sozinho, mas não solitário? Certamente há pessoas que passam o dia todo envolvidas em projetos e ocupações e, provavelmente, se relacionando com muitas pessoas diariamente. Participam de reuniões longas ou mantêm contatos momentâneos, sejam de trabalho, sejam com pessoas na rua, ou no supermercado, ou no shopping, sejam com amigos, conhecidos ou com familiares.
Mas, quando voltam para casa, jantam sozinhas, em frente à televisão, falando ou pensando alto, suspirando ou cantando, talvez para ouvir a própria voz. Claro que a natureza humana é sociável, e, com certeza, tais pessoas gostariam de estar com amigos, ou com alguém especial com quem poderia compartilhar momentos agradáveis. No entanto, continuam sozinhas, noite após noite, fim-de-semana após fim-de-semana, sem ânimo para levantar de seu lugar e buscar a companhia de alguém.
É óbvio que todos necessitam de um tempo para estar sozinhos consigo mesmos, para refletir sobre suas vidas, dirão alguns. Estar sozinho não significa sentir-se solitário, dirão outros. Sozinhas, as pessoas podem relaxar, ser elas próprias, sem se preocupar com as convenções sociais. E podem fazer o que desejarem, sem ter que dar satisfação a ninguém de suas manias, muitas vezes inadequadas. Sem a presença de alguém que influencie sua opinião, há liberdade para decidir seus planos, quer sejam na vida profissional, amorosa ou social.
Há casos em que se desliga o celular, não se atende o telefone, nem o interfone para não ser incomodado. Recusa-se convites para sair, ir ao cinema, bater um papo com os amigos, ou para viajar, para confraternizar. Querer estar sozinho, no entanto, não significa ser solitário. Nem que a pessoa esteja necessariamente infeliz. É uma opção pessoal.
Caso, porém, a pessoa esteja realmente abandonada por todos, esse estar sozinha possui uma conotação negativa de tristeza e de solidão, que provoca uma sensação de vazio, de isolamento, de estar fora do convívio com outras pessoas. A pessoa pode ter sido rejeitada pelos outros por sua aparência, raça, religião, ou por suas idéias ou hábitos inadequados, digamos assim.
Outros motivos também podem provocar o desejo de se isolar, como a perda de alguém muito querido, ou a perda de um emprego, ou uma separação conjugal (embora o casamento não livre alguns da solidão). Há motivos graves que levam pessoas ao isolamento emocional e físico. E, nestes casos, voltar ao convívio social deve ser extremamente difícil. Não creio que estar sozinha seja uma opção, nestes casos, mas uma circunstância da qual a pessoa não consegue se livrar.
Bem, particularmente, adoro ficar sozinha, cuidando de minhas coisas e vivendo independentemente. Mas, embora tenha razões para querer o isolamento, não vivo separada de meus amigos e familiares. Pelo contrário, posso optar em sair ou ficar em casa. Não há um estado depressivo de isolamento e dor. Estar sozinha é muito bom para estar comigo mesma.
E você, já vivenciou alguma das situações mencionadas acima? Como lida com a solidão? De maneira saudável ou obsessiva?
imagem daqui




