No metrô

Aquela “viagem” da zona Sul ao Centro deveria ser rápida, e sem nenhum contratempo. Mas enganara-se. “Se ficasse perto da porta, seria mais fácil descer”, pensou. Mais um equívoco. Esquecera-se de que, até o Centro, o Metrô pararia em algumas estações e, ao se abrirem as portas, uma enxurrada de gente entrando e saindo, e ela lá, bem no meio da porta, como uma roleta humana.
Manteve-se firme, porém. O Centro chegaria logo. Mas, o pior ainda estava por vir. Em uma das paradas, a multidão entrou com um pouco de ímpeto, e, uma senhora empurrou-a um pouco além do esperado. Todos se acomodaram e aquela pressão em suas costas aumentava, a ponto de desequilibrá-la. “Senhora, pare de empurrar, por favor?”.pediu. Um resmungo e novo empurrão. “Pare de empurrar!”, insistiu. A mulher parou. Em seguida, novo empurrão. “Não empurra, senhora!”.
Os momentos seguintes foram hilários: a mulher iniciou um discurso , em voz alta, uma espécie de monólogo. “Eu não tenho condições de pegar táxi, ganho pouco. Se tivesse condições, vinha de táxi. A gente pega um trem cheio e tem que escutar uma mulher dando fricote. Um cristal, que ninguém pode encostar, que vai quebrar”. E, virando-se para a “incomodada”, disse: “Cuidado com o cristal, se não vai quebrar”. E repetia a frase sadicamente.
“Já chega, senhora”, suplica a que fôra empurrada. Nada. A outra continuava em seu desafiante discurso. “Chega, senhora, pediu novamente a ‘cristal’, não sou mulher de fricote. Pelo contrário, sou uma pessoa muito simples. Apenas pedi para a senhora não empurrar. E a senhora parou. Agora, já chega!”. Mas a outra não se contentava. Queria provocar.
“Próxima parada: Centro. Desembarque pelo lado esquerdo.” A voz do condutor interrompe o discurso incômodo. Desceria e tudo ficaria para trás. Ficaria? A outra também desce na mesma estação e, é claro, falando sem parar: “Vai, Cristal, passa cristal!” E abria passagem com os braços abertos, inclinando o corpo , como num cumprimento de cavaleiros em quadrilha de São João.
E continuou seguindo-a nesse ritual de “passa, cristal” até a escada rolante. A essa altura, a que fôra empurrada perde a paciência e diz:
- A senhora é muito forte, hein! Como é que mexe com alguém na rua , sem saber quem é? Cuidado!
- Cristal!, Passa , cristal! Debochava a outra, com um sorriso sarcástico. E fazia novamente o “cumprimento de cavalheiros”, dobrando os joelhos e abrindo os braços, como a pedir passagem para que a “cristal” passasse.
- A senhora quer sair de perto de mim, por favor! – disse, parada, e fixando a outra. – a senhora não sabe com quem está mexendo. Ou é maluca ou é bandida para desacatar quem não conhece. Ou é bandida ou é maluca!”, repetia, agora sem paciência nenhuma.
A mulher, ao perceber que a outra parara e a encarara. Ao ouvir a frase dita anteriormente, disparou escada rolante acima e desapareceu no meio da multidão.
imagem daqui
Tags: dia-a-dia, intolerância, metrô
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June 6th, 2007 at 5:56 pm
Denise,
Você já deve ter percebido, pelas visitas que me faz, que adoro histórias passadas em metrô. Mostram direitinho as características de nosso povo. Quem sabe a mulher não conhecia a Cristal?
Grande beijo
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June 6th, 2007 at 7:14 pm
Mesmo que seja fictícia, essa crônica é a mais pura realidade: há pessoas querelantes, loucas para armar um barraco. “Crescem” pra cima da gente e, como cão imundo, ao ser confrontadas botam o rabo entre as pernas e saem “à sorrelfa”, como diziam antigamente. Ou não diziam?
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June 6th, 2007 at 7:58 pm
Denise, puta que o pariu e vc não pregou a mão nas fuças dela?
Demorô!
Bom final de semana,
Um beijo grande
Valter o Ferraz
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June 7th, 2007 at 12:33 pm
Ah, ah, Valter! Eu fiquei torcendo pra outra fazer isto, mas ela era uma pessoa muito educada, he he, um “cristal”, he heheh!
abraço, garoto
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Lord, você está certíssimo: lá há histórias que revelam direitinho as características de nosso povo. Basta surgir uma situação que desencadeie as reações e as pessoas se desnudam. Quem sabe a mulher não conhecia a Cristal, hum, será?
abraço, garoto
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Fictícia coisa nenhuma. Real da Silva! Esta teoria de “pessoas, como cão imundo, que ao ser confrontadas botam o rabo entre as pernas e saem “à sorrelfa”” é fato!Meninos, eu vi!!! He he!
abraço, garoto
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June 7th, 2007 at 1:15 pm
Denise, o mundo anda estressado demais. Eu acho essa situação extremamente perigosa porque a pessoa pode ser louca e dar um tiro em quem está perturbando. Caramba!! Beijocas perplexas
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June 7th, 2007 at 2:41 pm
Não é, Yvonne? Acho que foi isso que a doida pensou quando desapareceu, he he he!
beijo, menina
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June 7th, 2007 at 5:04 pm
Denise, eu também estava achando que era fictícia.Muito bem contado.
Bjs
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June 7th, 2007 at 6:22 pm
Denise, tomara que meu comment não vá para o SPAMM:-)
Olhe eu já retifiquei tudo.
Trsite que outras pessoas que por lá passaram não me avisaram do link errado.
É o mínimo que um leitor ou colega pode fazer por nós que blogamos e pelo colega que está sendo citado. Não acha? Por favor se vc vir um link errado ou quebrado num post meu, tenha a *CARIDADE* de me dizer:-)
Mas… enfim.
beijos
—
Olhe eu queria que vc me ensinasse como se coloca um contador no blog wordpress.
beijos
Obrigada
Meg
Meguita, querida, obrigada! Já avisei ao WP que você não é spam!Hehehehe!
Quantos aos colegas, penso que ficam sem graça de dizer que o outro se equivocou, ou não têm o hábito de clicar em links. Eu farejo tudo que meus amigos indicam, hehe! Foi pelo seu blog que descobri o Bozcon e adorei!
Já coloquei o contador aqui, mas ele não funciona, não sei por que. O endereço pra você pegar o código é http://blogutils.net/?f2 Tomara que você consiga, pois no meu só aparece a palavra on line, mas não aparece o número. Deve ser porque não há ninguém on line. Mas acho que deveria aparecer o número zero, sei lá. Me conta depois.
beijo, menina
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June 7th, 2007 at 6:43 pm
Denise
Obrigado pela visita e pelo comentário lá no Porão, muito legal o teu blog e textos.
Beijo
De nada! Amigo da Meg, é meu amigo, hehe!
abraço, garoto
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June 8th, 2007 at 7:50 pm
Deus do céu! Como tem gente inconveniente no mundo!
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June 9th, 2007 at 3:14 am
Pois é Denise e olha que o nosso metrô é considerado de “alto nível” e as pessoas ainda se respeitam mais um pouco.
Imagina isso na Central…
Beijos.
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June 9th, 2007 at 3:18 am
Denise, tem um contador online que é para o Wordpress: dá uma olhada no endereço http://whos.amung.us
Basta copiar e colar.
Beijos.
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June 9th, 2007 at 5:57 pm
Boa dica Cejunior. já instalei e vou lá contar para Meg! Valeu! E quanto ao Metrô, creio que foi devido ao nível das pessoas que não rolou um barraquinho básico, he he.
abraço, garoto
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Bota Deus do céu nisso, Claudia! Inconveniente e sem noção do perigo!
beijo, menina
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June 9th, 2007 at 8:28 pm
Denise, já me tirou do “spamzeiro”????
beijos.
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June 9th, 2007 at 9:39 pm
Vivien, este treco aqui funciona assim: você clica na caixinha “não é spam” e fica aguardando a boa vontade do WP liberar o comentário, sabe… Uma vergonha… Mas não se importa com isso pois logo, logo tudo volta ao normal(espero…)
beijo,menina
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June 11th, 2007 at 1:39 am
Que situação!? Mas lembrei de uma alemã com quem trabalhei. Diziam que ele adorava dar uma correção ou mais, chamar a nossa atenção perto dos outros. Contei pra mamy, que já tinha morado na Alemanha, pois não sabia se era caso isolado ou natural deles lá. Ela me aconselhou a procurar o ponto fraco dele e se ele me desacatasse perante os outros, era para falar da minha opinião sincera sobre ele. Como fazer isso se eu era subalterna? Foi o que fiz e conclusão ganhei respeito.
A mulher que te desacatou se era bandida ou maluca, não sabemos. Entre uma coisa ou outra, era mais pra bandida e esses bandidinhos não aguentam um olho no olho. Mas correu riscos, fia!
Boa semana! beijus
Gostei da dica de procurar o ponto fraco e falar sinceramente sobre isso quando for desacatada por alguém. funciona, é? Ma, quanto à mulher da crônica, acho que valeu o velho ditado: “a melhor defesa é o ataque”
beijo,menina
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