Meu lugar

January 6, 2007 Sociedade

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A casa onde moro

Moro sozinha em um apartamento aconchegante, e nele, o lugar em que mais gosto de me isolar é um quarto, que não é o meu, mas onde passo grande parte do dia. E, nem vejo o tempo passar. Costumo fazer várias coisas nesse cantinho, como falar ao telefone, navegar na internet, comunicando-me com pessoas amigas, realizar meus trabalhos no computador, ler ou escrever coisas não relacionadas com estudo ou trabalho, escutar música, ler jornais, estudar. Também passo boa parte do tempo na sala, na qual vejo tevê, e onde faço minhas refeições.

Eu gostaria que minha casa tivesse uma vista para uma paisagem bonita. Embora eu esteja bem perto da natureza verde, minha varanda da sala dá para outro condomínio e eu só vejo janelas. Porém, da janela do  quarto onde durmo, tenho uma vista para um jardim, onde crianças brincam.

Na minha casa, cozinhar é uma atividade raríssima. A menos que esteja com muita fome ou que alguém cozinhe em minha casa, dificilmente sai fumaça de lá. Eu gostaria que a minha cozinha tivesse um balcão que a integrasse com a sala, pra que eu pudesse fazer somente o trivial. Na verdade, a cozinha de meus sonhos deveria compor um único espaço com a sala de estar, de modo que houvesse apenas espaço suficiente para refeições com familiares ou amigos.

Minha casa, para mim, é, principalmente, o lugar onde passo a maior parte do tempo, onde recebo pessoas que me são queridas, o lugar onde estão meus pertences e em que trabalho e descanso. Mas, se fosse pra sonhar, eu gostaria de ter uma biblioteca que ocupasse um cômodo inteiro na minha casa!

Meus fantasmas

De vez em quando as portas e as janelas batem, sozinhas. Aqui venta muito! Mas, quando isso acontece, tenho a impressão de que não estou realmente sozinha, mas deve ser só impressão. Mesmo assim, para tirar todas as dúvidas, saio abrindo as portas e fechando as janelas. E olho pra ver se encontro algo, mas não acho nada nem ninguém. Não há nada mais absurdo do que procurar fantasmas onde eles talvez não existam, (talvez eu seja um deles). Mas, tomo as minhas precauções pois a fantasia, mais do que a realidade, é responsável por coisas absurdas.

Mas, como não os encontro, prendo as portas para que não batam mais e volto para o meu cantinho:  o quarto onde trabalho , o que tem uma janela, que, como a varanda da sala, dá pra um condomínio cheio de outras janelas. Já pensei em trocar para o quanto em que durmo, cuja vista dá para o jardim. Talvez a inspiração me viesse mais fácil…

A ventania, quando entra na casa, levanta as cortinas e acende minha imaginação. E lá vou eu , procurando meus fantasmas…

imagem: James Lewis

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Comente aqui: (7)

 

  1. Seja onde e como for, o importante é que nós fazemos nosso espaço, né? O lado ruim é que tornamos difícil a entrada de outras pessoas nele. bjs

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  2. Não, Denise, não me referia aos blogs e, sim, aos espaços que chamamos casa e aos novos relacionamentos. Uma das dificuldades que acabamos impondo é a presença de outra pessoa naquilo que criamos com o nosso jeitinho e aconchego. Foi isso. bjs

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  3. denise says:

    Afonso, Imaginei que você estivesse falando sobre os espaços a que chamamos casa e aos novos relacionamentos, mas como tenho ouvido comentários sobre a dificuldade de se entrar em certos domínios, fiquei em dúvida.
    Realmente , sinto essa dificuldade, de dividir meu cantinho. Tem a minha cara. Acho qualquer objeto no escuro, contanto que não tirem nada do lugar. Parece que a gente necessita de preservar nosso canto e, às vezes, outras pessoas não se adaptam a ele. Acho que é isso.
    abraço, garoto

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  4. Maria Elena says:

    A nossa casa, Denise,é o nosso castelo e é lá onde nós reis e rainhas, reinamos poderosos, com fantasmas ou sem fantasmas.
    Bjos,
    me

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  5. E,olha que os fantasmas estão não só em nossos cantos, em nossos espaços,mas em todos os lugares, aliás, acho que eles estão em nossas cabeças.
    Olha que agora, andei por toda sua casa, eu sou mesmo assim, chamou, e eu já entrei.
    Beijos minha linda

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  6. [...] comentário do Afonso no post abaixo me fez refletir sobre a dificuldade que temos muitas vezes de nos [...]

  7. [...] inevitavelmente, começamos a divagar sobre os possíveis fantasmas que rondam nossa casa e nossos sonhos. Já acordei certa vez, sentindo o abraço de meu anjo, [...]

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