Execução e perdão

A notícia da execução de Saddam me deixou muito irritada pois percebo que o ser humano “faz justiça” repetindo o mesmo “erro”. Se repudiamos as execuções bárbaras, puni-lo com execução torna quem o matou, um executor semelhante.

Durante meses tenho me calado, mas agora, pretendo discutir a situação da violência no mundo e particularmente no Rio. Fala-se muito em direitos humanos, mas a realidade mostra julgamentos sumários diariamente, e basta uma frase para se fazer calar qualquer um: “era bandido”. Um policial torna-se, em segundos, juiz, que decreta a pena de morte, e executor da mesma.

Já se provou que a polícia no Brasil mata exageradamente. Mata pelas costas, com tiros na nuca, com muitos tiros, sempre escolhendo partes letais. A maioria das vítimas são adolescentes infratores, sem antecedentes criminais, pobres e negros. A maioria das vítimas estão em áreas estigmatizadas como as favelas, comunidades muitas vezes abandonadas pelo Estado. É clara a discriminação social, cultural, étnica.

Quando se atira pelas costas num adolescente sem antecedentes criminais, que não foi previamente identificado, isto me soa muito parecido com  “limpeza social”. Naquele momento ele passa a ser identificado como um “vagabundo”. O próprio policial prefere atirar nas partes letais e não para a imobilização.

A certeza da impunidade dá ao policial garantia de segurança e , conseqüente insegurança pra seus familiares, que, temendo represálias, calam-se e vêm-se forçados a viver com o estigma de ter um ente querido “vagabundo”, segundo veredicto de um policial, que sequer o identificou.

O índice de punição para os policiais que matam, em execuções sumárias e arbitrárias, é muito baixo. Pelo contrário, o que vejo são elogios a essas “mortes de bandidos”. Policiais que matam não são cuidadosamente investigados nem submetidos a tratamento. E policiais que matam muito, sem controle e tratamento, adquirem seríssimas deformações psíquicas. Mas, quem ousa denunciá-los sem se tornar uma vítima certa e imediata?

Sabe-se que para o desenvolvimento de uma cultura civilizada e humanizada, em um país democrático, nenhuma polícia deveria matar. Nem todos são bandidos, embora os bandidos também não devam ser executados arbitrária e sumariamente pela polícia. Não temos pena de morte no Brasil, e mesmo que a tivéssemos, deveria haver um julgamento e não uma execução. Como é que a polícia mata e não acontece nada? Ela não é criminosa. Os criminosos é que matam. A polícia não existe para matar, mas para assegurar a justiça e a liberdade às pessoas.

Para a mídia, a polícia sempre declara que houve confronto entre ela e os bandidos e que estes foram mortos. Mas, se observarmos bem, os tiros são dados na nuca, na cabeça, nas costas! Pra mim isto não é confronto entre policiais e bandidos, mas sim uma execução de pessoas que podem ser bandidos ou não, não interessa. A polícia não pode matar!

Este é um país democrático!  Tal atitude revela o autoritarismo, o abuso de poder e a truculência da polícia que nos protege. Matam. Matar é diferente de prender, e é apenas isso o que eles devem fazer. Porém, matando, eles julgam, sumariamente. E matar nada tem a ver com justiça.

São os “juízes” do cotidiano. Não escutam, não dão chance para defesa. Sequer identificam a vítima. Não respeitam a vida.  Quem julga as pessoas criminosas? Os próprios que as executaram!  E, mesmo que sejam criminosas, teriam de ser mortas? Afinal de contas, existe ou não pena de morte no país?

Infelizmente, ninguém jamais irá saber se elas eram culpadas ou inocentes porque , na maioria dos casos, os familiares dos executados não abrem processo nem exigem seus direitos, por temer represálias. Se a polícia os tivessem prendido, interrogado e principalmente investigado, talvez nós saberíamos a verdade, caso não fosse deturpada, o que também pode ocorrer.

Não acontece assim, infelizmente. Aqui foi mais um desabafo. Uma denúncia de que uma vida foi desrespeitada  e ceifada por aqueles que acreditam que, matando, estão cumprindo seu dever e prestando um grande serviço para o país. E nunca saberei a verdade. Acredito apenas que há uma justiça divina, e que dela ninguém escapará.

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos ” Mateus 5.43

Embora, com todo esse sentimento de revolta e injustiça, sinto-me impulsionada a perdoar, a sofrer a ofensa, a aquietar-me e viver confiando na Justiça divina. Se não posso perdoar os responsáveis pela violência de que fomos vítmas, acabo por tornar-me mais culpada do que a pessoa que nos infligiu a ofensa.

Se não posso perdoar, a misericórdia e a graça de Deus para nós serão bloqueadas. Então, quando as coisas começarem a ir mal em nossas vidas, não vamos entender, pois estaremos em desobediência à ordem divina de amar e perdoar os inimigos.

Se eu não perdoar , a pressão de nosso inimigo contra nós continuará nos roubando a paz. Ele se torna o vencedor, conseguindo nos infligir sofrimento permanente; continua sorridente vivendo sua vida, enquanto nós continuamos fermentando nossa raiva, alimentando pensamentos de vingança, e nos tornando capazes de cometer transgressões muito piores do que a que sofremos.

Assim eu perdôo os que me inflingiram tanto sofrimento e, com isso , sinto que meu Pai celestial me conforta, e me faz ver que , toda vez que não dermos atenção às ofensas, e perdoarmos as injustiças que cometeram contra nós,isso nos faz pessoas melhores.

Quando perdoamos como Deus perdoa, (não é assim que oramos:”perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido?”), Ele nos leva à uma revelação de amor, de tolerância, de justiça e de bênçãos que nunca antes jamais conhecemos.

Agora, estou em paz! “O Senhor mo deu e o Senhor mo tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21)

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Pensando no ano que passou…

Fiz minha retrospectiva do ano passado, mas este ano não gostaria de fazê-lo, pois foi muito difícil. No entanto, é preciso colocar algo , mesmo que não interesse a ninguém. Talvez eu escreva pra mim mesma, sei lá.

Dizem que se deve olhar para trás e ver como foi o ano que passou, a fim de se fazer uma análise das coisas que aconteceram conosco, e , assim, refletirmos melhor sobre nossos projetos para o próximo ano.

O ano de 2006 foi importante por um lado e decepcionante por outro.

Importante no relacionamento familiar, porque pude acompanhar o crescimento da princesinha, bem como comemorar seu primeiro aniversário, seus primeiros passos, as primeiras palavras. Pude ver minha filha construindo sua própria família e tenho ótimas expectativas para o futuro dela e da princesinha.

Decepcionante na vida pessoal, por ocasião do desaparecimento de meu filho, fato que me provou que a gente nunca conhece as pessoas. Infelizmente nosso país está uma vergonha total. Estudamos e trabalhamos por anos e anos para poder dar uma vida mais digna a nossos filhos. Mas a violência de que fui vítima foi tão grande, e ninguém faz nada!

Disseram-me que dias melhores virão. Acredito que sim, mas para quem for buscá-los. É isso que estou fazendo. Ainda assim, espero que 2007 seja um ano melhor para todos nós. Que todas experiências que vivemos e que ainda viveremos nos sirvam para reflexão sobre o verdadeiro motivo de nossa vida aqui.

Vou traçar um projeto pessoal para o próximo ano e espero em Deus poder concretizá-lo, pois o “homem traça planos,mas  a resposta certa vem do Senhor”. Peço que Ele me dê muita  sabedoria e amor, porque só com amor e discernimento podemos compreender as coisas e as pessoas.

Que Deus me ajude…

Meu presente!

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Clarisse! Claridade! Brilhante!

Iluminando o que sobrou dos meus dias com seu sorriso!

Metade

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca

pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada

porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância

porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais

porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

fragmentos de “Metade”, de Oswaldo Montenegro

Sempre é natal pra mim!

A época do Natal é associada à generosidade, ao amor e à esperança. É época de se estar com a família e os amigos, ocasião em que se aproveita a ceia de Natal, ouvem-se músicas natalinas, trocam-se presentes, essas coisas.

Mas esta festa se popularizou tanto, devido à oportunidade para o comércio faturar, que a maioria das pessoas não deixa de participar dela. Embora alguns não sejam cristãos, poucos deixam de comemorar a data. E eu, esquecida deste “espírito” do Natal, pois, pra mim, Natal é todo dia, quando deixamos Cristo nascer dentro de nós nas ações cotidianas, estava decidida a não fazer nada este ano. Mas, lembrei-me de que preciso estar com quem amo nesta noite de Natal pra orar um pouco.

Primeiro Natal sem meu menino

Ainda há tristezas, lágrimas engolidas, mas o sorriso já é mais presente em meu rosto. É certo que, ainda esteja sofrendo a sua ausência. Jamais poderia imaginar viver tal experiência, a pior que um ser humano pode ter. Às vezes ainda me parece tão absurdo, mas, mesmo assim, decidi prosseguir vivendo da melhor forma possível.

Não teremos mais um Natal como antes, mas um Natal como nos é permitido viver. É claro que nesse dia haverá muito amor, pois recordaremos do nascimento de Jesus, sua vida e seus ensinamentos e também do seu nascimento. Estarei na igreja ouvindo a Cantata de Natal, e , depois, cearei com minha filha e a Princesinha.

E ele estará lá conosco. Comigo. Seu sorriso eternamente em minha memória e em meu coração. E ninguém vai me tirar isso!

imagem Google

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